
Entrevista com o Presidente do Conselho de Administração Executivo
A TAP atingiu em 2007 um resultado recorde de mais de 32,8 milhões de euros. Qual foi a “receita” para atingir estes resultados?
A TAP cresceu bastante, conseguiu adquirir no mercado quatro A330 e recebeu ainda o primeiro avião deste modelo comprado directamente à Airbus. O aumento da frota permitiu um forte crescimento da oferta e começar a voar para novos destinos, que constituíam oportunidades do momento que não poderiam deixar de ser aproveitadas.
Posso referir, como exemplos, o início da operação para Brasília ou o aumento de frequências para Luanda, Rio de Janeiro ou S. Paulo, todos eles a apresentarem resultados positivos imediatos.
Além do crescimento da própria TAP, procedemos também à integração da PGA, com a qual iniciámos a operação conjunta nos últimos seis meses do ano, o que já trouxe contribuições positivas.
A PGA vinha acumulando perdas nos anos anteriores, tinha registado prejuízos próximo dos 60 milhões de euros. Nos primeiros seis meses de operação com a TAP, essa tendência foi invertida e a PGA registou uma perda limitada de três milhões de euros, contribuindo com um valor superior na geração de receitas, em termos de acréscimo de tráfego, para a operação da TAP.
Iniciámos também, ainda em 2007, um intenso esforço de melhoria nos indicadores de pontualidade e entrega de bagagens, para o qual foi estabelecida uma estratégia assente na criação de uma Direcção de Serviço ao Cliente.
O ano começou muito bem em termos de resultados. Pela primeira vez, as perdas ocorridas até Maio foram muito pequenas, comparadas com o histórico de resultados da TAP. Isso ajudou-nos a chegar ao Verão numa posição mais
equilibrada e alcançámos ganhos muito importantes até Setembro. Preocupámo-nos, em Outubro e Novembro, porque houve uma reversão muito forte, com algumas movimentações e perturbações na operação, que tiveram algum impacto. Tivemos de consolidar os resultados negativos da operação do Handling, isso influenciou também as nossas contas. Por fim, nos últimos meses de 2007, o preço do combustível iniciava já uma escalada acentuada.
Apesar de tudo, é forçoso afirmar que o resultado global final foi bastante positivo.
Os factores que referiu – a integração operacional tardia da PGA, o início da escalada do preço dos combustíveis, os prejuízos da Groundforce, as perturbações na operação em Outubro – distorceram os resultados que poderiam ter sido
alcançados?
É muito difícil dizer. Eu acho que a TAP poderia ter registado ainda melhores resultados, se a PGA tivesse iniciado a sua integração mais para o início do ano, se não tivéssemos tido as perturbações que tivemos no mês de Outubro…
Os combustíveis também tiveram algum peso. O preço vinha crescendo já há algum tempo, mas nós conseguimos obter bons resultados nas operações de hedge (protecção) no ano passado, permitindo assim que a influência do preço dos combustíveis não fosse tão grande quanto poderia ter sido.
Respondendo à pergunta, em termos gerais, o resultado poderia ter até duplicado, o que seria muito positivo.
As dificuldades operacionais no Aeroporto de Lisboa prejudicaram também o desempenho da TAP?
Apesar dos grandes investimentos que estão a ser feitos, existem alguns constrangimentos à operação no aeroporto da Portela. Em 2007, com o crescimento da operação da TAP e os problemas operacionais na nossa participada Groundforce, tivemos dificuldades que fomos conseguindo resolver. Hoje, graças a um trabalho muito integrado da TAP com a Groundforce, a ANA e o SEF, estamos a melhorar em muitos aspectos, como a pontualidade e a entrega de bagagens.
TAP atingiu, em 2007, alguns indicadores que a colocam como uma das companhias mais eficientes da Europa?
Quando comparada com a média das empresas europeias – e faço essa comparação em alguns factores como custo por km / lugar oferecido (PKO), ou por km / passageiro transportado (PKU), e por várias outras formas de comparação de custos –, nós estamos muito bem posicionados, temos custos abaixo da média das companhias da AEA.
Então, somos realmente muito eficientes, porque crescemos nos últimos seis anos, duplicámos o tamanho, a Empresa aumentou em 98 por cento a sua oferta e a procura de passageiros teve um aumento também muito próximo desses
valores. Houve, assim, um crescimento sustentado, mas o mais importante é que a Empresa se organizou e reestruturou internamente, de forma a possibilitar esse crescimento e, ao mesmo tempo, ter grandes ganhos de eficiência.
Todas as áreas da Empresa tiveram ganhos importantes, mas destaco a TAP Serviços e a Manutenção e Engenharia.
Nesta área, por exemplo, mantivemos nos últimos anos um número constante de trabalhadores, mas se verificarmos que o número de aeronaves na nossa frota cresceu de 35 para 52 aviões, e que temos o mesmo número de trabalhadores, confirmamos os grandes ganhos de eficiência.
Se procurarmos em todas as áreas da Empresa, vamos encontrar significativos aumentos de eficiência, e foi sobretudo isso que permitiu atingir os resultados positivos.
O ano de 2007 foi também o da realização de grandes investimentos, como a aquisição de uma maior participação na VEM ou a aquisição da PGA…
Esses são, de facto, os grandes investimentos em 2007. Na VEM, tínhamos 50 por cento da sociedade que controla 90 por cento da organização, fizemos a aquisição ao outro parceiro dos restantes 50 por cento e passámos a ter o controlo de uma empresa que é muito grande, 2,5 vezes maior que a nossa área de Manutenção e Engenharia, e está situada num dos mercados que mais cresce, também no transporte aéreo, a nível global.
Estamos bem posicionados nesse mercado, mas a ideia não é ficarmos com os 100 por cento da sociedade que controla a VEM, nunca foi. A nossa intenção é encontrar um parceiro estratégico que possa ajudar-nos a trazer mais clientes para a VEM. Estamos a fazer uma reestruturação profunda da empresa, temos tido ganhos muito grandes na qualidade do serviço, nos prazos de entrega, no número de clientes, na satisfação do cliente…
Registámos um progresso importante. Quanto à PGA, constitui um passo importante, foi um investimento necessário para continuar o processo de crescimento da TAP, mas o objectivo é que os próprios resultados da PGA sustentem esse investimento.
A integração da PGA no Grupo TAP foi feita com baixos custos sociais, com a manutenção da maioria dos postos de trabalho e a integração de trabalhadores da PGA nos quadros da TAP. Isso foi importante?
Sim. Tomámos a decisão, no início de 2007, de não admitir ninguém na TAP, de forma a poder depois aproveitar muita gente que trabalhava na PGA e que não poderia continuar a trabalhar lá. Tivemos perda de postos de trabalho, infelizmente, mas oferecemos a quem saiu, a possibilidade de estudar soluções com uma empresa de recolocação. O aspecto social preocupou-nos bastante e houve cuidado relativamente a essa questão. Na área de pilotos, pessoal de
cabina e manutenção, a PGA até cresceu, porque a operação cresceu.
Com que sensação terminou o ano de 2007 e que projectos desenhou, no final desse ano, para 2008?
Apontava para que 2008 fosse um ano de consolidação de todos estes resultados.
Em 2007, tivemos o maior resultado de sempre, mas tenho afirmado que ele foi ainda muito pequeno, significando apenas cerca de 1,5 por cento da receita total da TAP.
A meta para 2008 seria trabalhar com os investimentos já feitos e procurar dinamizar a Empresa para crescer nos resultados, para que se pudesse ter uma capacidade de premiar melhor os trabalhadores.
Infelizmente, com o brutal aumento dos custos com o combustível, há uma grande mudança naquilo que perspectivámos.
O ano 2007 foi o seu melhor à frente da TAP até agora?
Foi o melhor ano da TAP até agora. Pessoalmente, todos os anos que já passei à frente da TAP foram “os melhores”, vencendo desafios muito fortes. Todos os obstáculos que superámos ao longo desse tempo contribuíram para unir cada vez mais a equipa de trabalho. Devo agradecer aos meus colegas de gestão no Conselho de Administração Executivo da TAP, aos membros do Conselho Geral e de Supervisão, aos Directores e, sobretudo, aos trabalhadores como um todo. Eles aproximaram da realidade o sonho de uma TAP mais forte.
2007
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