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Combustíveis Provocam 136 Milhões de Prejuízo

2008-07-31

Os proveitos operacionais da TAP ascenderam a 977 milhões de euros nos primeiros seis meses do ano, um valor 20 por cento acima dos 814 milhões apurados em 2007. Porém, apesar deste assinalável crescimento foi registado um resultado líquido negativo de 136 milhões de euros, o pior dos últimos anos. Este resultado reflecte o brutal aumento do preço dos combustíveis, pois a TAP gastou 312 milhões de euros, mais 133 milhões do que em período homólogo, o que representa um agravamento de 75%.

Estava já previsto – e orçamentado – um aumento significativo do custo dos combustíveis, mas a subida vertiginosa que se verificou ultrapassou todas as expectativas, pois o seu preço duplicou em apenas sete meses, enquanto anteriormente demorara quatro anos a conhecer um aumento percentual semelhante.

Reflectindo a realidade da indústria, a IATA (Associação Internacional de Transportes Aéreos) tem vindo sucessivamente a rever em baixa as previsões, desde um lucro de 5,6 mil milhões, em Setembro de 2007, para 6,1 milhões de euros negativos, mais recentemente.

O resultado operacional da companhia registou um valor negativo de 105 milhões de euros, que compara com 6,6 milhões, também negativos, no período homólogo de 2007.

Os custos globais de exploração situaram-se 32 por cento acima de 2007 e atingiram os 984 milhões de euros.

Porém, o aumento dos proveitos confirma que a TAP continuou a crescer, conforme tem vindo a acontecer ao longo dos últimos anos, evidenciando que apenas o desvio dos combustíveis fez interromper a consolidação de recuperação da empresa, que teve em 2007 o seu melhor resultado de sempre.

As receitas de passagens atingiram um total de 804 milhões de euros, o que representa um aumento de 21 por cento, crescimento superior aos 18,2 por cento obtidos em 2007 face a 2006.

A actividade de assistência a terceiros da Unidade de Manutenção e Engenharia registou cerca de 70 milhões de euros de proveitos, evidenciando um aumento de 29,7 por cento em relação aos 54 milhões do ano anterior.

Na Carga e Correio, os proveitos da TAP cresceram 14,7 por cento, passando de 47 milhões de euros em 2007 para 53 milhões.

Apesar de as receitas no mercado doméstico terem crescido 19,8 por cento, aumentando a sua quota de mercado de 46 para 52 por cento, mais de 66 por cento das receitas da transportadora aérea nacional foram obtidas fora de Portugal.

A importância da empresa no contexto da economia portuguesa foi também reforçada pelo crescimento do seu contributo para o turismo nacional, resultante dos significativos aumentos de tráfego com destino a Portugal dos principais mercados emissores.

A TAP transportou o maior número de passageiros de sempre no período analisado, num total de 4.108 milhões, mais 22,3 por cento que em 2007. Por sector de rede, a Europa atingiu 2.426 milhões de passageiros (+26,1%), o Doméstico 769 mil passageiros (12,5%), o Brasil 551 mil passageiros (+28,4%), a África 234 mil passageiros (+19,6%), os Estados Unidos 84 mil passageiros (+1%) e a Venezuela 44 mil passageiros (5,1%).

Companhia enfrenta a crise

Mantendo-se os preços médios verificados no segundo trimestre, em especial no mês de Junho, a factura dos combustíveis pode atingir no final do ano um desvio superior a 250 milhões de euros.

Logo que se tornou clara a dimensão da crise, a TAP aprovou um Plano de Emergência, com o qual pretende resistir às dificuldades actuais permitindo que a Companhia saia reforçada quando a situação se normalizar.

As acções que estão a ser desenvolvidas pela companhia incluem intervenções tanto pelo lado da redução de custos, como pelo aumento das receitas.