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    Croácia, Meu Amor

    Croácia, Meu Amor

    O país é pequeno, mas a diversidade é grande. Há contrastes de alto abaixo, das planícies do norte às regiões montanhosas do sul. A beleza natural ajuda a explicar porque é que a Croácia é cada vez mais um destino cobiçado. E não se deve tudo ao turismo gerado pelo fenómeno da série Guerra dos Tronos, filmada numa Dubrovnik onde proliferam os tours e as excursões temáticas.

    Voltemos aos contrastes. Eles começam sobretudo por ser culturais. Na República da Croácia (Republika Hrvatska), convergem várias matrizes. Uma identidade duplamente marcada pelo ideal de Mitteleuropa unida em valores transnacionais e pela veia mediterrânica que pede a degustação pausada dos prazeres da vida. O cruzamento entre o legado do Islão Otomano e as marcas da civilização bizantina e do cristianismo ortodoxo. O encontro entre um espírito ocidental — concretizado na adesão à UE em 2013 — e as tradições balcânicas partilhadas com os vizinhos eslavos.

    A herança histórica contribui para que neste curto território se concentrem recordes e curiosidades. A Croácia é, por exemplo, um dos países europeus com maior número de patrimónios imateriais da humanidade registados pela UNESCO. Desde a nossa bem conhecida dieta mediterrânica às várias tradições croatas, como o canto ojkanje, o torneio de cavalaria da cidade de Sinj ou as rendas e os bordados típicos.

    E mais: sabia que o Dálmata, uma das raças de cães mais populares do mundo, tem origem na maior região da Croácia?

    Mais de 1244 razões para visitar a Croácia

     Com o verão chegar, esta é uma escolha em cheio. Para os que procuram repouso, cultura e bulício em doses iguais. Os motivos que mais dão fama à Croácia estão numa linha costeira abençoada. Banhada pelo Adriático, tem quase 6 mil quilómetros de extensão. Parece muito para um país tão pequeno, mas estamos a contar com as mais de 1000 ilhas, além das praias continentais. Sim, mais de 1000 ilhas — 1244 para sermos precisos. Há até uma com formato de coração: a ilha de Galešnjak.

    E várias têm sido os nomes sonantes a exaltar a singularidade da Croácia. Não falamos apenas do número crescente de estrelas de Hollywood convertidas aos resorts desta nova “riviera”. Mas também de Alfred Hitchcock, que declarou que o melhor pôr do sol do mundo estava em Zadar. Ou de Bernard Shaw, Nobel da Literatura, que disse da Croácia ser o paraíso sobre a terra. E ainda Lord Byron, que cunhou a alcunha da bela Dubrovnik como “Pérola do Adriático”.

    Mas entre a fronteira com a Sérvia delineada pelo rio Danúbio e a geografia pontilhada da Croácia paradisíaca, há muito para ver. Por isso, o plano perfeito é passar um ou dois dias em Zagreb e depois escolher entre os muitos refúgios de sonho possíveis.

    Comecemos então pela capital.

    Zagreb rejuvenesce na esplanada

    A capital da Croácia, onde vivem 700 mil cidadãos, é uma concentração de todas as influências atrás mencionadas. Com a dimensão ideal para uma escapadela urbana, situada no centro-norte do país, Zagreb começa timidamente a competir com as incontestáveis Praga e Budapeste

    Para trás ficam as marcas da desagregação da Jugoslávia. Hoje, o ambiente é o de uma cidade jovem e vibrante, acolhedora dos seus visitantes, onde a cultura de café e esplanada marca o tom. A descontração sente-se logo à chegada. E há 3 coisas essenciais a fazer em Zagreb, mesmo para quem está de passagem: ver as duas faces da cidade, provar a comida croata e experimentar a vida noturna. 

    Num cenário marcado por tons de azul — na cor da bandeira da cidade e nos trams que atravessam as ruas — é na parte antiga de Gornji Grad que se começa. Além da Praça de São Marcos, aqui pode-se medir o pulso à cidade no mercado de Dolac e compreender o gosto dos croatas por comer bem. Entre os risottos, o queijo de Pag, o marisco e o peixe fresco, isto é certo: a confeção será esmerada, onde quer que vá.  

    Aproveite ainda para ter um primeiro contacto com a rakija croata. A bebida alcoólica nacional é tão apreciada que lhe chamam “água da vida”! 


    Quantas maravilhas tem a Croácia?

    Perde-se a conta. A norte de Zagreb, por exemplo, o castelo de Trakošćan parece próprio de um conto de fadas. E antes de partir em direção à Dalmácia, há pelo menos duas paragens obrigatórias. O primeiro é a península de Ístria, a noroeste.

    A Ístria é prova, entre outras coisas, da riqueza do país a nível de património histórico. Visível sobretudo na cidade portuária de Pula, cuja arena chega a fazer lembrar o Coliseu de Roma, ou na basílica eufrasiana de Poreč. Mas a região é também um chamariz natural, com a diversidade biológica do arquipélago de Brijuni e cidades piscatórias como a pitoresca Rovinj

    A segunda paragem fica no maior dos tesouros da Croácia. Ela está no Parque Nacional dos Lagos de Plitvice, mais um Património UNESCO. Localizado a meio caminho entre Zagreb e a Dalmácia, o parque é fruto de um processo geológico contínuo e compõe-se de 16 lagos, enquadrados por cascatas e grutas. As águas de Plitvice assumem cores tão intensas dão uma beleza quase irreal ao lugar mais visitado da Croácia.
    Janela com vista para o Adriático 

    Chegados à Dalmácia, a região mais desejada do país, como escolher? As atrações são múltiplas.

    Dubrovnik é, obviamente, a joia da coroa. Localizada no extremo sul da Croácia, este centro milenar das artes e humanidades bem pode orgulhar-se de ter uma das Cidade Velhas mais bem preservadas do mundo, com o seu manto de telhados laranja a tocar o azul do Mediterrâneo. A concentração de igrejas, palácios, fontes e vários estilos arquitetónicos fazem de Dubrovnik um lugar de grande importância histórica, amado pelos seus cidadãos. Sobrevivente a traumas como o terramoto de 1667 ou os bombardeamentos de 1991, continua a encantar quem está de passagem.

    Dentro das muralhas destas ruas cheias de charme, há recantos que parecem parte de um museu. Percorrer a Stradun (rua principal) é essencial e a Catedral da Assunção, o Museu Marítimo e o Palácio do Reitor são pontos imprescindíveis nesta viagem pelo tempo. Recomenda-se ainda uma viagem de teleférico para uma vista panorâmica sem igual.

    A apenas 15 minutos de barco a partir do porto de Dubrovnik temos a ilha de Lokrum, também “conhecida” por muitos como Qarth da série Guerra dos Tronos. Os lagos, praias e restaurantes de Lokrum são um pequeno aperitivo para partimos à descoberta desta outra faceta da Croácia: as ilhas.


    Grandes, pequenas, inesquecíveis

    1244 ilhas, de facto. Mas apenas cerca de 50 estão habitadas, enquanto outras exigem uma excursão, como o Arquipélago de Kornati. Entre as que estão vocacionadas para o turismo, seguem-se sugestões para umas férias inesquecíveis.

    Falámos já de Pag, onde é produzido o famoso queijo de ovelha de sabor único (paški sir). A ilha fica a menos de uma hora da cidade de Zadar, no centro da costa, e liga-se ao continente por uma ponte. O modo de vida tipicamente pastoril tem vindo a ser agitado por multidões de jovens em busca de festa, tanto que o termo “party island” já se tornou recorrente para definir Pag. A praia de Zrće, o centro da agitação com os seus bares e clubes à beira mar, é uma das mais procuradas do país.

    Entre os lugares cimeiros está também a ilha de Hvar, um pequeno paraíso de verão. Com vilas ao melhor estilo mediterrânico, entre o relaxado e o sofisticado, rodeadas por um cenário de vinhas e praias, Hvar é uma das melhores razões para programar umas férias na Croácia. Na vila que dá nome à ilha (Hvar), o centro histórico, com a arquitetura veneziana a descer sobre o porto, é um local de eleição para assistir ao pôr do sol. Depois, as noites de verão enchem-se de animação até o sol voltar a subir. 

    Imediatamente a norte de Hvar encontramos a ilha de Brac. Menos povoada e procurada por turistas, é a opção certa para uns dias ainda mais relaxados. Mas não esteja à espera de encontrar um lugar com menos encantos. Afinal de contas, é aqui que se situa uma das praias mais fotografadas do Mediterrâneo — a “ponta” inconfundível de Zlatni Rat, na parte sul da ilha. E não faltam também emoções fortes: basta esperar por julho, altura em que se realiza o festival de desportos radicais Bez Regula (literalmente “sem regras”).
    Mais serena ainda é a bela ilha de Mljet, perto de Dubrovnik. Aqui, é a natureza que dita as regras: vegetação densa e exuberante, lagos de água salgada e um parque nacional a rivalizar com o cenário inusitado de Plitvice. A fama já é antiga, tão antiga quanto a Odisseia de Homero, cuja ilha de Ogígia muitos crêem tratar-se de Mljet.


    Antes de regressar ao continente, fazemos uma paragem na pequena ilha de Vis em busca da melhor experiência gastronómica. É nas tabernas locais (tonobe) que se prova o peixe fresco delicioso acabado de pescar, mas também os melhores vinhos tintos e brancos da Croácia. Tudo saboreado ao ritmo de vida próprio de uma ilha dedicada à agricultura e à pesca: pomalo (que é como quem diz: devagar, devagarinho...). 


    Repousar à beira-mar


    A brilhar no centro da costa adriática, a segunda maior cidade costuma ser catalogada como “a mais bonita do mundo”. Split é um tesouro que remonta aos tempos do Império Romano tardio: foi em torno do Palácio de Diocleciano, construído pelo imperador (284-203 a.C.) que aqui quis passar os últimos anos de vida, que a cidade se constituiu e cresceu.

    Split é feita de equilíbrios dinâmicos. Entre a história rica visível na arquitetura gótica, renascentista e barroca, e uma população urbana exigente a nível a cultural. Museus, teatros, festivais de música e cinema fazem parte da parte da identidade da cidade tanto quanto as praias de Bačvice e da península de Marjan, a apenas 15 minutos. É importante não esquecer: aqui o sol abunda o ano inteiro.

    E se ainda sobrar tempo? É procurar a praia de Brela, um dos refúgios mais bem guardados da costa da Dalmácia. Ou percorrer a calçada das ruas velhas de Zadar. Ou… 

    Seja como for, saberemos sempre que ficou muita coisa por explorar.