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    10 Básicos de Salvador da Bahia

    10 Básicos de Salvador da Bahia

    No pulso, a medida do Bonfim e a promessa de que pelo menos um dos seus três desejos se realizarão. Na alma, a bênção de todos os santos que moram nas águas da baía.

    1 - Breve história

    Em 1501, um ano depois de Pedro Álvares Cabral ter descoberto o Brasil, o navegador Gaspar de Lemos, acompanhado por Américo Vespúcio, chegava à Baía de Todos os Santos. Chamaram-lhe assim por terem ali chegado no dia 1 de novembro.

    Esta baía — a segunda maior do mundo — era habitada pelos índios tupinambás. Por volta de 1509, Diogo Alves Correia, sobrevivente do naufrágio de um navio francês, seria o primeiro europeu a casar-se com uma nativa. O povoado — hoje Vila Velha — onde assentou arraiais era um porto estratégico para os navios de passagem.

    Por ordem de D. João III foi implantado um sistema de capitanias hereditárias que não prosperou. O rei português nomeou então Thomé de Souza Governador do Brasil. O português desembarcou no Porto da Barra em março de 1549 e mandou edificar a cidade-fortaleza de São Salvador da Bahia de Todos os Santos. Durante dois séculos (até 1763) Salvador foi a capital do Brasil e da América Católica.

    É impossível falar desta região sem falar do tráfico de escravos transatlântico que começou no século XVI com a expansão portuguesa na costa africana. As primeiras notícias de africanos em Salvador datam de 1550. Sabe-se que vinham sobretudo da costa ocidental africana. Eram trazidos para o Brasil para trabalhar nas plantações da Bahia de Todos os Santos e nas minas de ouro.

    À cultura brasileira os africanos deram alegria e musicalidade. Ou como notou Gilberto Freyre “um modo cantado e adocicado de falar. E apimentaram a culinária baiana”. A escravatura seria abolida pela Lei Áurea em 1888. Hoje, Salvador é a cidade mais negra do mundo fora do continente africano.

     

    2 - O que é que a baiana tem…

    As coloridas ruas do centro histórico de Salvador cheiram a azeite de dendê. Até de olhos fechados conseguimos chegar ao tabuleiro do acarajé da baiana estacionada no Terreiro da Cruz. Um perfume que abre o apetite, que é base do receituário baiano e que alimenta as divindades do candomblé.

    A riqueza da cozinha local — que se poderá conhecer melhor no Museu Gastronómico — é o resultado de uma combinação feliz entre os chamados ingredientes da terra (locais), do reino (de Portugal, Europa e continente asiático) e da costa (que vinham da costa africana). Desta espinha dorsal nascem as moquecas, os ensopados, o vatapá e o caruru. À mesa não poderá faltar uma cerveja bem gelada e a caipirinha. O festim não acaba sem comermos os reis da cocada preta, o quindim de Yáyá, baba de moça ou o delicioso bolinho de estudante.

     

    Senac

    É lá que deve começar a aula de culinária. Começamos pelo abará, igual ao acarajé, mas cozido em vez de frito. Provamos o carucu, uma saborosa pasta de quiabos, e as moquecas de peixe, lula e bacalhau. Pouco espaço resta para o Xim Xim de Galinha, a maxixada, a feijoada e o pirão. Praça José de Alencar, nº 13/19 

    O Cravinho — Casa de Cachaça

    “O” lugar para beber o cravinho (cachaça, cravo, mel e limão) que a gerência afiança ser antigripal. Também serve petiscos baianos. Terreiro de Jesus, 3 \\\ ocravinho.com.br/

    Coliseu

    Ruben Carvalho diz que “a comida baiana é a mais natural do mundo”. Nós podemos garantir que a carne, grelhada no momento, era com certeza a mais tenra. Acompanhou um espetáculo de folclore baiano com direito a dança de orixás, puxada de rede, xaxado, maculelé, capoeiristas excelentes e samba de roda. Cruzeiro de São Francisco, 9 – 13 

    UaUá

    Uauá é uma cidade do Sertão da Bahia e também um restaurante onde a moqueca de peixe é de chorar por mais. A carne de sol com aipim frito não lhe fica atrás. Rua Maciel de Baixo, 36  \\\ (71)3321-3089

    Camafeu Oxossi

    Fica no Mercado Modelo de olhos postos na baía. A casquinha de siri e a feijoada estavam de se lhe tirar o chapéu. Praça Visconde de Cayru, 250, Mercado Modelo

    Cuco Bistrô

    Aberto desde as águas de março passadas, o Cuco mistura cozinha mediterrânica com pratos regionais, o que resulta em iguarias que surpreendem o palato. Aceite a cachaça caseira no final. Largo do Cruzeiro de São Francisco, 6

    Acarajé da Cira

     Para comer o melhor acarajé terá que ir ao tabuleiro da Cira em Itapuá. Este bolinho típico da Bahia frito no dendê é aberto ao meio tipo sanduiche. Lá dentro leva vatapá, salada de tomate e cebola e camarão seco. Outra delícia difícil de bater é o bolinho de estudante que comemos de seguida. Rua Aristides Milton, Itapuã

     

    3 - Tudo, tudo na Bahia faz a gente querer bem...

    Como canta Bethânia “a Bahia, estação primeira do Brasil” é o berço da Música Popular Brasileira. E Salvador toda ela canta nas curvas da cabrocha que “tem candomblé no seu sapateado”. A Gilberto Gil, a Bahia deu “régua e compasso”, enquanto a todos nós deu, de mão beijada, samba, bossa nova, Carnaval e também axé, forró, reggae, afoxé e olodum. Dorival Caymmi encontrou na Baixa dos Sapateiros “a Morena mais frajola da Bahia”.

    Esta “terra da felicidade” é cantada pelos Novos Baianos em “Brasil Pandeiro” e noutras canções. No fértil solo baiano nasceram músicos e cantores como Dorival Caymmi, João Gilberto, Tom Zé, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Maria Bethânia, Gal Costa, Daniela Mercury e Ivete Sangalo, entre muitos outros.

    Vinicius de Moraes imortalizou em canção a praia de Itapuã. O poeta tinha também o desejo de ter nascido do ventre de Mãe Menininha. Do Terreiro do Gantois, a Mãe de Santo mais reverenciada de Salvador recebeu a homenagem de Dorival Caymmi. Mais dedicada aos prazeres terrenos “Maria Caipirinha”, de Carlinhos Brown, pode ser vista como a biografia de muita baiana.

    Há quem primeiro conheça este território mágico através das canções e uma vez lá, olhando aquela imensa baía, reconheça lugares que há muito já faziam parte de um invisível mapa musical. Roubando as palavras de Gilberto Gil: “É o azul que a gente fita/ No azul do mar da Bahia/ É a cor que lá principia/ E que habita em meu coração”.

     

    4 - Salvé meu orixá

    Em 1937, quando Jorge Amado escreveu Os Capitães de Areia, as religiões de matriz africana eram proibidas e os cultos realizavam-se em terreiros secretos pelos negros recém-libertados. Brancos, pretos, mulatos, os protagonistas da história eram protegidos da mãe de santo Don'aninha e do padre José Pedro. A trama faz a síntese da relação que o baiano tem com a religião.

    Profundamente religioso, não vira as costas ao catolicismo, mas não descura nas oferendas ao(s) seu(s) orixá(s), divindades que personificam as forças da natureza. Povoada por terreiros que remontam ao tempo da escravatura, Salvador é a capital do sincretismo, onde vários credos vivem em perfeita harmonia. Durante séculos o catolicismo foi imposto aos negros e estes viram-se obrigados a arranjar uma correspondência nos santos católicos.

    A partir dos anos 60 surge um movimento por parte de artistas e intelectuais que trazem para a música estes ritmos africanos. Através de “Canto de Ossanha”, Baden Powel e Vinicius de Moraes ajudaram o candomblé a ser aceite no Brasil e além-fronteiras. Hoje, os pacotes turísticos incluem cerimónias de candomblé e até visitas a uma mãe de santo que deita búzios.

     

    5 - Rodar a baiana

    “Baiano não nasce, se estreia, não morre, sai de cena.” A frase é de Nizan Guanaes, guru do marketing baiano e um dos brasileiros mais influentes do mundo.

    Ser baiano é um estado de espírito bem descrito na frase “Sorria, você está na Bahia”, que os vendedores de fitinhas do Bonfim nos repetem. Roberto Carlos, historiador, diz que “na Bahia tudo é possível. A prostituta participa, o gigolô se apaixona. É a terra do Peter Pan”. E assegura que “baiano quando não está em festa, está ensaiando”. Uma coisa é certa, os baianos parecem dormir muito pouco. A maior parte das pessoas com quem nos cruzámos levanta-se por volta das cinco da manhã, para fazer desporto, Tai Chi, passear o cão ou dar um mergulho no mar. Tomam calmamente o pequeno-almoço e vão trabalhar.

    À tarde, saem do trabalho e sentam-se com os amigos à volta de um petisco ou de uma cervejinha. Em Salvador há dias específicos para ir até às ruas do Pelô, como a terça-feira da bênção — uma tradição do século XVIII em que se benzem os pães de Santo António. Na Igreja do Rosário dos Pretos realiza-se às 18h uma missa afrobaiana que inclui os instrumentos usados nos terreiros de candomblé.

    A festa há muito que superou o sentido religioso e os largos do centro histórico, com nomes de personagens criadas por Jorge Amado, enchem-se de música e de gente que procura contaminar-se do axé (energia boa) que só há na Bahia.

     

    6 - Bahia cristã

    Diz o povo que há 365 igrejas em Salvador da Bahia. De acordo com os dados da arquidiocese de Salvador tem mais nove. Dorival Caymmi jurava serem 365, uma para cada dia do ano e foi esse número que ficou no folclore baiano. Independentemente de quantas sejam, é impossível ignorá-las e às suas histórias. Uma das mais fascinantes é a da Igreja da Conceição da Praia, construída com pedras vindas de Portugal e montadas na Cidade Baixa.

     

    Basílica da Conceição da Praia

    É uma das primeiras construções da Cidade Baixa. De autoria de José Joaquim da Rocha, fundador da escola baiana de pintura, o teto da nave demonstra incríveis noções de perspetiva. O seu miolo é a primeira demonstração completa do barroco de D. João VI no Brasil. Detenha-se também no altar de prata e ouro branco.

     

    Igreja do Senhor do Bonfim

    É o resultado da promessa cumprida por um capitão de Setúbal pela viagem ter chegado a bom termo. A réplica do santo veio de Portugal e a igreja foi construída entre 1746 e 1772. Desde o século XVIII que os antigos escravos vêm lavar o adro e a escadaria da igreja. A prática começou com preparativos para a festa do Senhor do Bonfim (que decorre no segundo domingo de janeiro), sendo hoje a maior manifestação popular da cidade depois do Carnaval.

    Este ritual separou-se dos festejos católicos e acontece na segunda quinta-feira de janeiro, já que os adeptos do candomblé começaram a identificar o senhor do Bonfim com o orixá Oxalá. Vestidas de branco as baianas caminham oito quilómetros desde a Igreja da Conceição da Praia até ao adro do Bonfim com água de cheiro. A festa vai-se extinguindo ao som de trios elétricos.

     

    Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Negros

    Em tons de azul, no fim da ladeira do Pelourinho, esta igreja foi feita para o culto dos negros, tendo sido fundada em 1685 por uma das primeiras confrarias de negros alforriados no Brasil. Marco da arquitetura colonial e rococó, aqui pode assistir a uma missa seguida da procissão em que Nossa Senhora do Rosário, a santa branca, é adorada pelos negros. A cultura negra contaminou as tradições da homília, o coro é acompanhado por batuques, e a oração dos santos dá graças aos orixás.



    Catedral Basílica

    No Terreiro de Jesus fica a Catedral. Aqui foi em tempos um colégio de jesuítas. O edifício lembra uma caravela de cabeça para baixo. A fachada é toda em lioz importado de Portugal. “As ideias do Padre António Vieira, ficavam mais fecundas aqui”, assegura o historiador Roberto Carlos.

    Igreja e Convento de São Francisco

    “Pobre por fora e rica por dentro” assim é conhecida a Igreja de São Francisco, que ostenta cerca de 730 quilos de ouro e é uma das expressões máximas do barroco brasileiro. O seu interior tem meia tonelada em entalhes do minério que fez do Brasil o país das oportunidades. O teto da portaria tem uma perspetiva de José Joaquim da Rocha protagonizada pela Virgem Maria.

    O claustro está revestido por 136 painéis de azulejos inspirados no livro Teatro moral da vida humana que “seria para catequizar os analfabetos.” Procure o altar de Santa Ifigénia, a primeira negra a ser canonizada, e de São Benedito, outro santo negro, que carrega ao colo um menino branco.

     

    Ordem Terceira de São Francisco

    Vizinho da Igreja e Convento de São Francisco, o claustro surpreende quando deparamos com um painel de azulejos que nos remete para Lisboa antes do terramoto de 1755 e também para o cortejo do casamento do rei D. José. A fachada maneirista é única em todo o país e considerada uma das principais referências do barroco no Brasil. Até ao século XX estava tapada com argamassa e foi encontrada por acaso por um eletricista.

     

    Igreja da Nossa Senhora da Conceição da Lapinha

    Data do final do século XVII. É a única igreja de estilo neo-moçárabe no Brasil, estilo adquirido já no século XX. É do Largo da Lapinha que sai o desfile Dois de Julho, dia da independência da Bahia, em 1823. O cortejo atravessa o centro histórico. Desfilam os caboclos e há uma sátira política feita através de cartazes, vestimentas e canções.

     

    7 - Pelô e outros bairros

    É o principal cartão postal da cidade e, desde 1985, Património Mundial da Humanidade. Por ter sido construída como as cidades medievais, lembra uma cidade muralhada portuguesa, mas com uma injeção de cores. Cheio de casarões, o Pelourinho (Pelô) foi até ao século XX o centro comercial e administrativo da cidade. Será com certeza o bairro onde existem mais igrejas barrocas por metro quadrado. Subimos o Elevador Lacerda — que liga a Cidade Baixa à Cidade Alta — “a maneira mais rápida e barata do baiano subir na vida”.

    O passeio e as histórias principiam na Praça Municipal, onde fica o Palácio Rio Branco, a Câmara Municipal (1549), a sede da Prefeitura, com assinatura do arquiteto carioca Lelé, e o Elevador que nos trouxe, a funcionar desde 1873.

    Na Praça da Sé passamos pela estátua de Pedro Fernandes Sardinha, o primeiro bispo do Brasil — que “cobrava caro para perdoar os pecados”. A sua história não teve um final feliz. Foi comido pelos índios. Sorte melhor teve o seu sucessor Pedro Leitão. “Os índios não gostavam de carne de porco”, graceja Roberto Carlos. Na Ladeira do Pelourinho, paramos na porta que corresponde ao número 68. Aqui escreveu Jorge Amado Suor, Quincas Berro D’Água e Dona Flor. Eis-nos finalmente no largo mais famoso da cidade, o lugar onde os escravos eram castigados e vendidos.

    Num casarão fica a Fundação Jorge Amado. Foi aqui que Michael Jackson gravou parte do vídeo “They Don’t Care About Us”. A música tornou-se um hino contra a injustiça social. Hoje a loja que emprestou a varanda ao cantor é um fenómeno de sucesso. Dá até para ser fotografado ao lado de um Jackson de cartão.

     

    Rio Vermelho

    O bairro do Rio Vermelho já seria uma área residencial considerável e palco de encontro entre os  intelectuais baianos no princípio do século passado. É aqui que se concentra a intensa vida noturna da cidade, entre botecos com samba, barzinhos de jazz e restaurantes cheios de pinta. À beira da praia fica a Igreja de Santana, que tem como vizinha a Casa do Peso, mantida por pescadores e onde se faz o culto a Yemanjá (a  deusa do mar).

    A 2 de fevereiro a festa que lhe é dedicada começa pelas cinco da manhã. De barco levam-se oferendas que se deitam ao mar. Os vários terreiros da cidade vêm até aqui com os seus batuques glorificar um dos principais orixás do candomblé.

     

    Cidade Baixa

    Na Cidade Baixa as grandes atrações são o Forte de Monte Serrat e a Ponta de Humaitá, um lugar único para ver o pôr do sol. Lembre-se que nalguns locais de Salvador, por causa da sua situação peninsular, se vê o sol nascer e afogar-se no mar. Nas imediações da Avenida Centenário fica o Dique do Tororó. Um pântano drenado pelos holandeses em 1624. Hoje é uma área de lazer.

    A outra atração são os orixás, de autoria de Tati Moreno, que parecem caminhar nas águas. Seguimos para a Ribeira, onde as famílias do Recôncavo vinham veranear. Era uma estância balnear no século XVII. Experimente um gelado na Sorvetaria da Ribeira, que dispõe de um total de 64 sabores e funciona desde 1931.

    Explore a Praia da Penha, cujo chamariz são os restaurantes de frutos do mar. Interrompa o passeio para conhecer a Feira de São Joaquim, um recinto enorme que vende frutas e legumes, animais vivos e mortos, artigos religiosos e artesanato vindo do interior do Estado.

     

    Barra

    Fica na entrada da Baía de Todos os Santos, onde começou a colonização da região em 1536. Na década de 70 do século XX foi a vez da contracultura e dos tropicalistas assentarem arraiais por aqui. Pode visitar-se o Farol da Barra e as praias e ir parando nos cafés ou simplesmente dar uma volta na marginal, que desde agosto tem o trânsito condicionado.

    Aos domingos à tarde famílias inteiras invadem o local. Há comida de rua variada e até uma feira gastronómica com alguns dos chefes baianos de 15 em 15 dias. O circuito de carnaval Dodô — Dodô e Osmar são os inventores do Trio Elétrico (palco móvel) — sai daqui para Ondina. Nesta época há vários prédios na marginal — como o art déco Oceania — que são alugados e transformados em camarotes com discotecas e restaurantes.

     

    8 — Artes, letras e artesanato

    Terra fértil em talentos, a Bahia viu nascer não só músicos maravilhosos, como artistas plásticos famosos: Calanzans Neto, Mário Cravo ou Bel Borba. Glauber Rocha filmou-a em Deus e o Diabo na Terra do Sol, tornando-se um marco do Cinema Novo. Natural da ilha de Itaparica, João Ubaldo Ribeiro também a transportou em vários tempos para o seu imaginário literário.

    Depois há os adotados, como Carybé e Pierre Verger. O primeiro era argentino de nascimento fez capoeira e frequentou terreiros de candomblé. O segundo, fotógrafo francês, desembarcou em Salvador em 1946, misturou-se com o povo, tornando-se um estudioso do culto dos orixás.

    Destaque também para os artistas anónimos cujas mãos produzem peças que se podem encontrar nos mercados da cidade. Um aplauso às baianas que, além do sorriso, sabem 118 maneiras de pôr o turbante à volta da cabeça.

     

    Fonte da Rampa do Mercado Modelo

    Na Cidade Baixa, bem à frente do Elevador Lacerda, fica a Fonte da Rampa do Mercado de Mário Cravo Júnior. Há a teoria de que será uma reinterpretação dos arcos da montanha, das velas dos saveiros e das torres das igrejas e outra mais popular de que representa as muitas curvas da baiana.

     

    Mercado Modelo

    Foi a primeira alfândega do Brasil e hoje nas suas 263 lojinhas podem encontrar-se rendas, pintura naïf, esculturas, artigos religiosos, cerâmica e todo o tipo de têxteis alusivos à Bahia. www.mercadomodelobahia.com.br

     

    Instituto Mauá

    Aqui encontra “a Bahia feita à mão”. Além disso o instituto promove cursos de cerâmica, bordados e tecelagem junto da comunidade. Mais Informação.

     

    Maria Adair

    Esta artista baiana trabalha a temática da vida. Começou num género orgânico e a partir da década de 70 as plantas e animais passaram a esticar-se. Pinta sobre “tela, papel, madeira, ferro, seda, algodão, brinquedo, cadeira, mesa, cerâmica, bicicleta, pedras, relógios, gravatas e cabaças”. Ultimamente começou a experimentar pontos de luz no computador. As suas obras podem ser adquiridas na Paulo Darzé Galeria. Maria Adair \\\ atelier@maria-adair.com

    Capoeira

    Misture dança com artes marciais, música e africanidade. O resultado é: capoeira. Uma das expressões culturais mais antigas da Bahia de matriz africana. A cadência da jogada é dada ao som de um berimbau. No Forte de Santo Antônio Além do Carmo há rodas de capoeira todas as quartas, sextas e sábados às 19h30.

     

    Prentice de Carvalho

    É autor das placas onde se inscrevem os nomes das ruas no Pelourinho. Vale a pena ir à Ribeira, à Casa de Prentice para conhecer este artesão baiano que há 48 anos faz pintura em azulejo. A conversa é deliciosa. A começar pelo seu nome “que em inglês quer dizer aprendiz de Deus”. Casa de Prentice

     

    Lasbonfim

    Em pleno Terreiro de Jesus encontramos esta loja pensada por um filho de garimpeiro que desde novo conheceu o maravilhoso mundo das gemas. Aqui encontra desde o diamante em bruto por lapidar, ao lapidado. Há um infinita coleção de joias e aceitam-se encomendas. www.lasbonfim.com.br

     

    Fundação Pierre Verger Galeria

    Em pleno centro histórico não deixe de entrar nesta galeria onde encontrará as magnificas fotografias de Pierre Verger, o francês que na Bahia se apaixonou pela cultura africana. Podem adquirir-se livros e publicações consagradas ao fotógrafo francês.

     

    9 - Séculos de história(s)

    Com quase 500 anos, Salvador é um museu ao ar livre com mais de 70 museus. Do sagrado ao profano, das artes à literatura, com muita África no coração.

     

    Museu de Arte Sacra da UFBA

    Fica no convento de Santa Teresa de Ávila, fundado pelos Carmelitas Descalços no século XVII. Aqui encontram-se raras imagens indo-portuguesas e cíngalo-portuguesas vindas para o Brasil nos séculos XVII e XVIII, um considerável acervo da prataria que no século XVIII embelezava as igrejas da capital. Destaque para a coleção de quadros do mestre José Joaquim da Rocha. www.mas.ufba.br

     

    Museu Afro-brasileiro

    Aqui resgata-se o passado. Desmistifica-se também que o africano era primitivo. Pode estudar-se as rotas esclavagistas, mergulhar nas roupas e nos penteados da época ou admirar os painéis de madeira talhada de Carybé (ver em detalhe nos separadores da revista). www.mafro.ceao.ufba.br

     

    Centro Cultural Solar do Ferrão

    Situado na rua que imortaliza o poeta satírico baiano Gregório de Matos, aqui poderá conhecer a coleção de arte popular de Lina Bo Bardi, em especial as carrancas que serviam para afastar os maus espíritos.  O edifício  guarda a coleção de arte africana de Claudio Masella e a coleção de instrumentos do “alquimista do som”  Walter Smetak. www.ipac.ba.gov.br/museus

     

    Solar do Unhão e Museu de Arte Moderna

    Nesta típica residência do tempo colonial — casarão, igreja, engenho e senzala — funciona o Museu de Arte Moderna. É provavelmente o único museu do mundo à beira da praia. Veja o pôr do sol no parque das esculturas, lado a lado com trabalhos de Bel Borba, Mário Cravo Júnior, Mestre Didi, Carybé. No acervo há trabalhos de Tarsila do Amaral e Cândido Portinari. Mais Informações.

     

    Farol da Barra — Museu Náutico da Bahia

    Alojado no Forte de Santo António da Barra, a mais antiga edificação militar do Brasil (1534), este museu reúne uma coleção de achados arqueológicos, instrumentos de navegação e outros objetos alusivos ao mar. Há uma mostra permanente relativa à geografia, história, antropologia e cultura da Bahia de Todos os Santos. Construído antes da própria cidade, o farol é um belo exemplar da arquitetura militar portuguesa do século XVI. www.museunauticodabahia.org.br

     

    Memorial irmã Dulce

    "Venha emocionar-se com a história do anjo bom do Brasil.” Com uma obra social incrível, a história da grande devota de Santo António é contada no convento onde passou a vida. www.irmadulce.org.br

     

    Fundação Jorge Amado

    Fica na Praça do Pelourinho, onde tiveram lugar grande parte das histórias do escritor, que foi também o autor da lei de liberdade de culto que protege o candomblé. Passeamo-nos pelos inúmeros títulos da sua obra, pela farda da Academia de Letras, a máquina de escrever e pela vitrina onde estão as t-shirts que mostram o seu amor ao seu país tropical.

     

    Casa Rio Vermelho — vida e obra de Jorge amado e Zélia Gatai

    Acaba de inaugurar, e para os fãs do escritor é uma emoção muito grande poder passear pelo jardim onde estão depositadas as cinzas de Jorge Amado, o eterno candidato brasileiro ao Nobel da Literatura. A proposta é que se conheça o homem e os objetos que recolheu pelo mundo. A casa tem uma história viva. Amigos como Calasans Neto, Carybé, Verger ou o ceramista Udo Knoff também deixaram a sua marca, num azulejo, numa porta ou numa baleia feita de bolas de gude (berlindes). www.jorgeamado.org.br

     

    10 - "Quem vem pra beira do Mar”

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