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Rota das Aldeias Históricas de Portugal

Castelos, batalhas campais, reis árabes e cristãos, passagens secretas e moiras encantadas. Todos os elementos que povoam as histórias e as lendas que remontam à Alta Idade Média são tangíveis na Rota das Aldeias Históricas de Portugal.

Localizados na zona fronteiriça entre Portugal e Espanha, atravessando os Parques Naturais da Serra da Estrela e do Douro Internacional, e ainda a Reserva Natural da Serra da Malcata, estes povoados desempenharam uma função decisiva na manutenção da independência territorial portuguesa, sendo quase todos fortificados.

Por entre as montanhas da Beira Interior, no centro do país, podemos, assim, calcorrear caminhos ancestrais, conhecer casarios medievais e fortalezas altaneiras, deliciarmo-nos com a incomparável gastronomia local e recarregar baterias. Aqui, impera o silêncio e a esmagadora beleza natural da zona raiana, onde abunda a oferta de programas e atividades na natureza.

Almeida

Almeida é um dos melhores e mais bem conservados exemplares de fortificação abaluartada em Portugal. Vista de cima, a Praça Forte de Almeida assemelha-se a uma estrela de doze pontas e é, atualmente, candidata a Património Mundial da UNESCO.

Pertencente ao distrito da Guarda, a sua origem toponímica é árabe e foi palco de batalhas épicas, como o “Cerco de Almeida”, durante as Invasões Francesas. Se visitar o município em agosto poderá assistir à recriação do evento. 

Belmonte

É a aldeia-berço de Pedro Álvares Cabral, o navegador português que descobriu o Brasil, e foi um lugar de refúgio para os judeus sefarditas. Durante séculos, os judeus de Belmonte mantiveram intactas as suas tradições, tornando-se um caso excecional de comunidade criptojudaica.

Atualmente, Belmonte, no distrito de Castelo Branco, faz parte da Rede de Judiarias de Portugal, tendo uma sinagoga, uma judiaria e um museu judaico como principais atrações patrimoniais. Ver o pôr-do-sol do alto do Castelo de Belmonte, com a Serra da Estrela no horizonte, é uma experiência mágica e imperdível. 


Castelo Mendo

As oito torres que protegiam a cidadela e a aldeia muralhada podem ter sido derrotadas pelo grande terramoto de 1755, mas Castelo Mendo mantém a sua mística românico-gótica. Na Rua do Forno pode encontrar as Casas Manuelinas e, subindo pela calçada medieval até ao ponto mais alto, visitar as ruínas da Igreja de Santa Maria e as antigas portas do Castelo.

D. Sancho I mandou realizar a primeira feira oficial de Portugal em Castelo Mendo e, ainda hoje, em abril, esta aldeia do distrito da Guarda organiza uma das melhores Feiras Medievais do país. 

Castelo Novo

Literalmente encaixado no anfiteatro natural da Serra da Gardunha, cujo nome significa refúgio em árabe, Castelo Novo é uma das mais belas aldeias beirãs. A Igreja Matriz, o Pelourinho manuelino e o Chafariz da Bica, em estilo barroco, são apenas algumas das atrações da aldeia.

Não se esqueça de usufruir das praias fluviais da região e empanturrar-se com as deliciosas e carnudas Cerejas da Cova da Beira.


Castelo Rodrigo

Ir a Castelo Rodrigo é imergir num mistério. As antiquíssimas muralhas chamam-nos de longe para descobrirmos uma aldeia com um património riquíssimo. Depois de visitar o interior do antigo Castelo, passeie calmamente pelas ruelas medievais e descubra a Igreja e o Convento de Santa Maria de Aguiar, do século XII, as ruínas do Palácio Cristóvão de Moura e as bonitas janelas manuelinas de avental nas fachadas de alguns dos edifícios locais.

Outra das atrações é o Poço-Cisterna medieval, que apresenta duas portas com estilos arquitetónicos distintos: uma em arco quebrado, ao estilo gótico, e outra com arco em ferradura. Possivelmente, a segunda terá pertencido à cisterna existente na sinagoga judaica, o que faz deste edificado uma síntese da construção cristã e judaica.

Idanha-a-Velha

Esta é, possivelmente, uma das mais antigas aldeias históricas, fundada por Roma no século I a.C.. Foi tomada e habitada por suevos, visigodos, árabes e cristãos, sendo doada por D. Dinis à Ordem dos Templários.

Dê um mergulho de 2000 anos e visite as Muralhas Romanas, a Torre dos Templários, construída sobre o Podium de Vénus, o Pelourinho e o Lagar de Varas. A Catedral de Idanha-a-Velha, que corresponde à antiga basílica da Egitânia (assim denominada por suevos e visigodos), começou a ser edificada no ano de 585, foi convertida em mesquita na invasão muçulmana da Península Ibérica e reconvertida em igreja com a reconquista cristã. Atualmente, é um museu de visita obrigatória.


Linhares da Beira


O imponente Castelo de Linhares da Beira ergue-se na vertente nordeste da Serra da Estrela. D. Afonso Henriques, o primeiro rei de Portugal, concede-lhe foral em 1169, mas Linhares continuará a ter uma posição estratégica na defesa da Bacia do Mondego até ao século XVII. 

Além de poder respirar o ar puro da montanha e praticar parapente (Linhares recebe inclusivamente o Festival Internacional da modalidade), perca-se pelas ruelas graníticas e visite a Fonte de Mergulho e Fórum Medieval, a Casa do Judeu, a Igreja Matriz e a Antiga Casa da Câmara e Cadeia.


Marialva


A aldeia de Marialva, no distrito da Guarda, foi povoada pelos aravos, povo lusitano, muito antes da Conquista Romana. É, portanto, um cenário vivo da ancestralidade portuguesa. Além da antiga cidadela, em ruínas, Marialva oferece-nos património como a Igreja de São Pedro, a Cisterna quinhentista, os antigos Paços do Concelho e o Solar dos Marqueses de Marialva.

É também ponto de passagem do milenar Caminho de Santiago, tendo uma igreja devotada ao apóstolo Santiago Maior, que ostenta um impressionante altar em estilo barroco joanino.

Monsanto

Considerada a aldeia mais portuguesa de Portugal, Monsanto, no distrito de Castelo Branco, ergue-se a mais de 700 metros de altitude, empoleirada numa escarpa granítica. Existem, neste local, vestígios de presença humana desde o Paleolítico. No cabeço da aldeia, ao lado do Castelo construído pelos Templários, a vista é de 360 graus e uma das mais impressionantes do país. As ruínas da Capela de São Miguel, a Torre do Relógio, as furdas (antigas pocilgas) e a icónica Casa entre Penedos merecem uma visita atenta.

A gloriosa resistência aos invasores (romanos ou árabes – a precisão perdeu-se com os séculos) comemora-se na Festa da Divina Santa Cruz, em maio, deitando-se das muralhas do Castelo simbólicos cântaros com flores, levando as mulheres ao cimo das torres as tradicionais bonecas de trapos – as marafonas.

Piódão

Conhecida como Aldeia Presépio, Piódão é uma das mais insondáveis aldeias portuguesas, implantada numa encosta abrupta da Serra do Açor, já no distrito de Coimbra. A sua fisionomia é inconfundível, visto ser composta por um casario de xisto negro, com telhados de ardósia e portas e janelas pintadas de azul. Podem observar-se cruzes nas ombreiras das portas, a invocar a proteção de Santa Bárbara contra as intempéries.

Reduto primitivo de pastores lusitanos, Piódão tem uma grande tradição agrícola e de pastoreio. Por essa razão, não deixe de visitar o seu Núcleo Museológico, bem como a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, digna de figurar nos contos de encantar. No verão, aproveite para se refrescar na irreal Praia Fluvial de Foz D’Égua, um pequeno paraíso na Terra.


Sortelha

Um enorme e secular lódão, à entrada da Porta da Vila, dá as boas-vindas aos que se aventuram a subir à muralha de Sortelha. Uma vez lá em cima, todo e qualquer esforço valeu a pena. Situada no distrito da Guarda, esta é uma das Aldeias Históricas de Portugal mais bem preservadas. Dentro do espaço amuralhado, organiza-se um casario austero e extremamente bem cuidado, que o fará sentir-se automaticamente num filme de época. Paragem obrigatória, para contemplação, na Casa da Câmara e Cadeia, na Casa Árabe e na Igreja Matriz.

Ao subir à Torre de Menagem do antigo Castelo, vai acreditar que chegou ao topo do mundo, devido à ampla e extraordinária vista sobre as agrestes paisagens beirãs. Fora das muralhas, esperam-no curiosidades como dois amantes petrificados num beijo eterno e sepulturas antropomórficas. 


Trancoso

Situada num planalto a mais de 900 metros de altitude, Trancoso desenvolveu-se em torno do seu Castelo, fundado no século VIII, um dos mais antigos de Portugal. A possibilidade de monitorizar um vasto território entre a Serra da Estrela e o Vale do Douro deu-lhe uma importância estratégica, desde o tempo das Conquistas Romanas à Reconquista Cristã.

No muralhado centro histórico casaram-se D. Dinis e Isabel de Aragão, a Rainha Santa, e ainda hoje as ruas têm uma feição medieval, alindadas pelos Paços do Concelho e pelo Palácio Ducal, bem como pelas belas Igrejas de São Pedro e de Santa Maria. Descubra também a forte herança judaica de Trancoso no Centro de Interpretação da Cultura Judaica Isaac Cardoso.

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