Moscou. Um Regresso às Aulas de Cultura

Moscou é imensa, gigante. O clima torna-a cinza, mas sua vida — e que vida! — social e artística pintam a cidade de cores vivas. Procura um banho de cultura, mas fora do eixo ocidental? Rume a leste. Tenha “aulas” na capital russa.
Moscou — capital da Rússia — alberga em seu território cerca de 12 milhões de pessoas. É, hoje, uma das cidades mais caras do mundo e uma das regiões com mais milionários por metro quadrado. Nos últimos anos, tem-se notado um esforço para, além de preservar sua vasta riqueza histórica, cultural e arquitetônica — Moscou foi fundada em 1147 — se posicionar lado a lado com outras capitais mundiais que se viraram para o modernismo e tecnologia. Todavia, é no antigo que a capital russa nos conquista e apaixona. Vamos dar uma volta?

Quase tudo no centro — literalmente!

Teatralnaya é o nome de uma estação de metrô. E é nela que você deve sair para conhecer o Teatro Bolshoi, sede de uma das mais antigas Companhias de Ballet do mundo. Inaugurado em 1825, foi palco de estreia de “O Lago dos Cisnes”, peça assinada por Pyotr Tchaikovsky. Atualmente, os grandes espetáculos nacionais e internacionais passam por aqui. Conseguir ingressos para as atuações do Bolshoi pode ser uma tarefa ingrata. Mas não desanime, há mais para ver.

A Praça Vermelha é logo ali ao lado. E aqui, acredite, será necessário perder algum tempo. Um dos pontos de visita obrigatória é o Mausoléu de Lênin — Fundador das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Este mausoléu serviu de inspiração para algumas nações, que construíram infra-estruturas mais ou menos idênticas, como a China (Mao Tsé-Tung), Coreia do Norte (Kim Il-Sung) e Vietnã (Ho Chi Minh).

Logo ao lado, pode-se visitar o Museu Histórico do Estado, que possui em seu espólio milhões de objetos: de relíquias pré-históricas, que habitaram o território russo, a obras de arte adquiridas por membros da dinastia Romanov.
E sim, mantemo-nos na Praça Vermelha: agora, na Catedral de São Basílio. Símbolo da religião ortodoxa russa e construída em 6 anos — de 1555 a 1561 — é um dos cartões postal de Moscou, mas não só: é também Patrimônio Mundial da UNESCO desde 1990. A Catedral pode ser visitada. Aliás, deve ser visitada!

Também considerado Patrimônio Mundial da UNESCO, o Kremlin — sede do governo russo — é uma fortaleza situada bem no coração da cidade. Ocupa cerca de 30 hectares e alberga vários monumentos relevantes em seu interior. Erguido durante o século XV, é, naturalmente, uma das principais atrações turísticas de Moscou. O Kremlin é aberto parcialmente ao público, por isso reserve 1 hora do dia para este passeio.

E pronto, chega de Praça Vermelha! Mas continuamos com edifícios eclesiásticos como pano de fundo: após atravessar o rio Moscou pela Ponte Patriarshy, avista-se a Catedral do Cristo Salvador. Tal como São Basílio, representa igualmente a Igreja Ortodoxa Russa. Foi aberta ao culto a 26 de maio de 1883, mesmo dia da coroação do Imperador Alexandre III. Em 1931, foi destruída pelos comunistas, tendo sido reconstruída em 2000.

Museus, uma universidade e palácios — perdão, estações de metrô!


Uma ida ao Museu Pushkin é mandatória: além da beleza do edifício, é um caldeirão cultural de arte europeia. O maior de Moscou, aliás. Aqui, podem-se encontrar obras de artistas como Van Gogh, Cézanne, Renoir, Degas, Rembrandt, Picasso ou Gauguin, entre outros. A lista de nomes não deixa margem para negociação: não podemos faltar às aulas!

E arte russa? Algo que nos remeta para o passado artístico desta nação? A Galeria Tretyakov é a resposta a estas duas perguntas. Aqui, encontra-se a maior coleção de arte russa do mundo: Kandinsky, Malevich, Chagall e Rublev são alguns dos artistas com obras espalhadas pelos corredores do museu. Ah, informação relevante: tal como o Pushkin, esta Galeria encerra às segundas-feiras.
Ainda com a cultura como prato forte, recomendamos uma passagem pela Biblioteca Estatal Russa, antiga Biblioteca Lênin (de 1925 a 1992) e uma das maiores do mundo. Tem, em suas prateleiras, mais de 17 milhões de livros. Caso encontre literatura agradável para alguns minutos de leitura, escolha uma das salas com vista para o Kremlin. Quase nos esquecíamos: ao lado da Biblioteca, encontra-se a estátua de um dos grandes escritores russos: Fyodor Dostoyevsky.

Já que falamos em escritores: que tal um pulinho na Universidade de Moscou? É a maior do país e foi erguida em 1755. É constituída por 7 edifícios, também conhecidos como as 7 Irmãs. Sua imponência e relevância para a pesquisa e ensino na Rússia merecem uma visita.   

Este passeio pelas ruas da capital russa pode ser feito a pé ou... de metrô. Há quem chame suas estações de palácios subterrâneos. E nós concordamos com a denominação. Não exagero nenhum. Funciona desde 1935 e, diariamente, transporta 7 milhões de pessoas — terceiro mais movimentado em nível mundial, sendo apenas superado por Tóquio (Japão) e Seul (Coreia do Sul). Visite as estações de Komsomolskaya, Mayakosvaya ou Ploshchad Revolutsii. Há mais, é claro, mas visitando este trio você ficará de queixo caído.

Lazer: um parque e opções mil

Os locais que vamos deixando para trás têm, regra geral, um traço comum: a sua antiguidade e lugar na História. Continuamos assim, agora com um parque para relaxar ou fazer um piquenique, caso a meteorologia permita — o Parque Gorki, fundado em 1928. Não dando grande importância ao tempo frio, aproveite, caso seja inverno, para desfrutar da magnífica pista de gelo que o espaço oferece. Os passeios de barco são outra das atividades possíveis.

Para uma saída noturna, três sugestões: o bairro de Kitay Gorod, a rua Arbat e Chistye Prudy são autênticos caldeirões de cultura. As melhores lojas, restaurantes de gastronomia nacional e estrangeira, bares, cafés e discotecas estão aqui reunidos. A escolha é, como tudo em Moscou, plural. Feche os olhos e siga seus sentidos.